texto do livro “As cidades Invisíveis” de Italo Calvino

As cidades continuas.  2

Se ao tocar terra em Trude não tivesse lido o nome da cidade escrito em grandes letras, pensaria que havia chegado ao mesmo aeroporto donde partiria. Os subúrbios que me fizeram atrtavessar não eram difrentes dos outros, com as mesmas casas amareladas e esverdeadas. Seguindo as mesmas setas passava-se pelas mesmas alamedas das mesmas praças. As ruas do centro mostravam mercadorias embaladas, letreiros que nada mudavam. Era a primeira vez que vinha a Trude, mas já conhecia o hotel em que me calhou entrar, já tinha ouvido e dito os mesmos diálogos com compradores e vendedores de sucata; outros dias iguais a esse haviam acabado olhando através dos mesmos copos os mesmos umbigos a ondular.

– Porquê vir a Trude? interrogava-me. E já queria partir.

 -Podes apanhar o avião quando quiseres – disseram-me – mas vais chegar a outra Trude, igual ponto por ponto, o mundo está coberto por uma única Trude que não começa nem acaba, só muda o nome do aeroporto.

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